Depois do fim

Depois do fim acordei com um gosto amargo na boca, com uma dor de cabeça de matar, com uma dor no peito que nenhum cardiologista saberia explicar. Os dias e as noites eram infinitos, as dores eternas, sempre iguais, até a pele doia...
Quando dormia queria acordar para o tempo passar mais rápido, e, quando estava acordado sofria com a demora do dia - longo e cruel.

O alcool foi grande companheiro, grande amigo, o caderno, as paredes e o chão frio do meu quarto também, mas, o que sempre me derrubou foi o asfalto, o caminho do trabalho, o olhar que não conseguia desviar, igual aquelas histórias que escutamos quando somos crianças, onde fastamas estão olhando para você naquele canto deserto, e você, sempre atencioso teima em olhar, vai compreender isso, coisa de louco.

Não podemos fugir do assunto. Por que depois do fim? Sei lá, acho que depois do começo é muito cliche, é muito chato. O fim reserva as dores, a tristeza, a solidão. Depois do começo é igual acompanhar uma novela da globo.

O sofrimento é tão triste, as dores da solidão são horríveis, são literalmente doloridas, como já disse, a pele fica dolorida; não é uma coisa boa - embora eu já senti falta(vai entender). As pessoas são cruéis, malvadas, não ligam para ninguém, quando ligam são mentirosas, enganadoras, são iguais "amigos" bêbados que juram amizade eterna.

De um tempo para cá, andei pensando: As pessoas gostam de sofrer, elas gostam, adoram sentir aquele desprezo; Freud já deve ter analisado isso, ou seja, aquela coisa: Nossa, tadinho, ele(a) está sofrendo tanto, ele(a) não merecia isso... Sei, no fundo é algo que não conseguimos explicar, é confuso, parece que a pessoa já nasce precisando fazer análise. Nossa, que triste, gosto de sofrer e sinto muita dor, isso me mata, mas preciso disso...

Mas, depois do fim acordei com um gosto amargo na boca, com uma dor de cabeça de matar, com uma dor no peito que nenhum cardiologista saberia explicar, com vontade de cometer suicídio, de matar qualquer filho-da-puta...melhor, uma filha...Mas o "Amor", ah... como o "amor" purifica as pessoas; - e como salva vidas também...claro, apenas uma, pois, não me considero um ser vivo, mas, um pseudo-ser vivo, ou, melhor dizendo, tenho uma sobrevida, mas isso é assunto para outra discussão.

Bom, resumindo, depois do fim... hummmm, depois do fim percebi que nunca existiu um começo, nunca existiu um meio, muito menos um fim.

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