Recuperação de floresta leva de séculos a milênios

Áreas degradadas de mata atlântica levam de 100 a 300 anos para se regenerar

Demora para retomar 40% de espécies endêmicas pode alcançar de 1 a 4 milênios, daí a urgência de preservar os últimos fragmentos

Luiz Carlos Murauskas - 31.ago.05/Folha Imagem

Área de mata atlântica destruída ilegalmente em São Paulo

MARCELO LEITE
COLUNISTA DA FOLHA

Um estudo na edição deste mês do periódico "Biological Conservation" traz boas notícias para a mata atlântica, que precisa desesperadamente delas depois de perder 93% de sua cobertura original. A floresta que recobria o litoral oriental do Brasil na chegada dos europeus consegue, sim, recuperar-se em tempo relativamente curto: 100 a 300 anos.
Em outras palavras, seriam necessárias de 4 a 12 gerações de brasileiros para recompor a mata destruída nas últimas 20. Se parece muito, prepare-se para a má notícia: o trabalho concluiu que a recomposição de toda a biodiversidade da floresta pode demorar entre 40 e 160 gerações (1.000 a 4.000 anos).
O estudo foi realizado por três pesquisadores da Universidade Federal do Paraná a partir de uma idéia de Marcia Marques, do Laboratório de Ecologia Vegetal. "Surgiu de uma curiosidade minha em compreender a resiliência [resistência] da floresta", conta. "Quando se observa uma floresta que se regenerou após um distúrbio, sempre vem a pergunta se aquela floresta corresponde ou não ao que era originalmente."
Seu estudante de mestrado Dieter Liebsch, co-orientado por Renato Goldenberg, se encarregou de levantar os dados. Eles foram obtidos em 18 outros estudos sobre mata atlântica publicados entre 1994 e 2007 que estabeleciam com alguma segurança a data de início da exploração da floresta. É o que se chama de "meta-análise" (compilação de informações de outros trabalhos).
A base da pesquisa foram as listas de plantas (florística) encontradas nos trabalhos anteriores. Uma floresta digna do nome precisa abrigar também aquelas espécies tolerantes à sombra, grandes árvores como a maçaranduba (Manilkara subsericea) e as perobas (Aspidosperma spp).
Isso leva tempo. Nos primeiros anos e décadas, predominam as espécies pioneiras, que se dão melhor com a abundância de luz solar em clareiras e fragmentos desmatados. Também são menos freqüentes as espécies que dependem de animais para ter suas sementes dispersadas, como os guamirins, parentes da goiabeira dependentes de aves.
Uma floresta madura contém 90% de espécies não-pioneiras e 80% de espécies dispersas por animais. Sabendo a proporção desses dois tipos e o tempo decorrido desde a perturbação da mata em cada um dos 18 casos, foi possível calcular a velocidade de regeneração do perfil: de um a três séculos.
A mata atlântica é também uma das florestas tropicais mais biodiversas do planeta, com 40% de espécies endêmicas (que só existem em certos locais). Para recompor essa chamada beta-diversidade, no ritmo atual, a mata precisaria de 1.000 a 4.000 anos.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1806200801.htm

Flamewars Survival Guide

1 - Não eleve o tom da discussão.

2 - Posts agressivos podem ter respostas agressivas, sim. É isso que eles pretendem; é isso que eles merecem. Como Mel Gibson nos ensinou, as guerras podem ser muito divertidas.

3 - Um brogue é a casa de alguém. Mas se esta pessoa abre a janela de sua casa e começa a gritar que todo sãopaulino é viado, por exemplo, ela não pode esperar sinceramente que as paredes não apareçam pichadas no dia seguinte (ou cheias de pó-de-arroz, no caso).

4 - Sarcasmo é bom, ironia melhor, wit is jolly good. Ter argumentos é também recomendável, mas opcional.

5 - Só altere de forma jocosa os nomes de seus contendores se eles se irritarem com isso.

6 - Uma boa discussão está sempre no limite de se discutir mutualmente a profissão das progenitoras mas nunca o faz.

7 - Se uma metáfora infeliz foi usada pelo oponente, não tenha pena. Explore-a, torture-o.

8 - Releia seu texto antes de apertar o "send". Repita o processo. Novamente. Quando você estiver quase se arrependendo aperte o botão.

9 - Esqueça os erros de português e de digitação do adversário. Gramaticismos são a melhor forma de provar que você não tem argumentos.

10 - Sim, é possível dar um ippon simplesmente torcendo o mindinho. Atenha-se a um pequeno ponto que você tem razão e o oponente não tenha e vá determinado até o final. Exija uma resposta direta. Ele jogará diversos outros argumentos em sua direção, mas não se desconcentre, você pode retomar as discussões tangenciais mais tarde. Continue torcendo o dedinho.

11 - Cimente uma placa de bronze na parte interna do seu crânio com a inscrição: "por mais idiotas que os oponentes sejam você é muito pior pois está discutindo com eles." Tenha claro isso antes de entrar em qualquer debate. Você não está solucionando os problemas do mundo, está apenas os alimentando.

12 - Um corolário da Lei anterior: Tenha claro que na discussão você jamais irá convencer o oponente. Veja bem: ele é uma pessoa que acredita que a desregulamentação do mercado vai resolver o buraco da camada de ozônio; é com gente assim que você está lidando. Sua esperança reside em que um jovem leitor decida-se pelo seu lado (que é sempre o lado da Luz, da Razão e da Sabedoria) ao ver os argumentos de seu oponente solenemente pulverizados.

13 - Chiliques, faniquitos e fricotes são sinais óbvios que você já ganhou a discussão. Não os aponte, no entanto; não só não é educado como provocará mais chiliques, faniquitos e fricotes.

14 - Nunca reclame de ter um comentário deletado de uma caixa de comentários. Ela não é sua. Quer democracia? Discuta lá no seu brogue.

15 - Divirta-se. Se sua neurose não permite que você se divirta em uma discussão de internet, procure um analista ou arranje uma namorada; ou namore seu analista, sei lá.

16 - Em dúvida, crie confusão. Frases enigmáticas, vagamente relacionadas ao assunto, terminando com uma piscadela ;) são ótimas cortinas de fumaça para fugir definitivamente de uma discussão.

17 - Last but not least, the Golden Rule:
Shoot all the sitting ducks, shoot the nests, shoot the eggs. That's the real hunt!

Fonte: orabolas.blogspot.com/2006_03_01_archive.html