Nem sei mais...

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma DOR insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'"

Caio Fernando Abreu


É preciso estar inteiro para receber alguém por inteiro, não adianta querer algo que talvez não consigamos dar.

Não podemos nos contentar com pouco, o pouco é medíocre, - precisamos das pernas, braços, corpo, mente, coração, pensamentos, precisamos de tudo, precisamos ser felizes..estar felizes.

Precisamos saber o que realmente desejamos de uma relação. Saber quais são nossas reais necessidades e exigir alguém que nos complete de uma forma que nos faça sentir saudades; sentir vontade de conversar, de beijar, do cheiro, do abraço, até mesmo de uma bronca por algo banal..não sei se é amor, pois não acredito no amor de prateleira, mas no que é intenso e bonito, e isso não é culpa do outro, pois não existem culpados, tudo é química, tudo deve ser automático e apenas acontecer, nada mais.

Devemos acreditar naquilo que nos faz ter palpitações; que nos faça dormir e acordar com vontade de quero mais, e não falo de sexo bom, o bom é ter alguém que fará você feliz sempre, mesmo que o 'sempre' seja apenas mais uma frase bonita de poesia, que seja, sinta a poesia, pois, poesia é amor e amor sem poesia não é absolutamente nada.

Como poesia devemos levar nossas vidas...nossos amores, nossas dores.

Segunda-feira


Segunda-feira, dia de sofreguidão, a multidão exala suas lamurias na supressão dos vagões lotados dos trens, mulheres e homens esquecem-se de suas “vidas” e partem para mais uma anestesia mental em seus vis trabalhos.

Não existe compaixão entre a civilização, mas, o que me preocupa não é a falta dela, mas a falta de indignação.

Como é a ética dos políticos no Brasil?

Acredito que a ética política brasileira não exista. Como o Brasil é um país de povo ideologicamente “ordeiro” e “progressista” e, principalmente “pacifico”, somos tendenciosos a obedecer e acreditar que exista um real progresso e principalmente, é passado para a população através dos veículos de massa que o brasileiro é um povo sofredor e honesto, que vive num país que não há catástrofes naturais, no caso, um paraíso tropical.

Pensando em ética, acredito que seria primordial que todos os políticos abdicassem de seus salários, de suas regalias, esse seria o primeiro passo para a real democracia, onde todos trabalhariam para o real crescimento do país, visando pura e simplesmente o bem comum de todas as pessoas.

A famigerada política brasileira está mergulhada no mar da corrupção desde que o Brasil é Brasil, como sua independência foi construída pela burguesia, sem insurreição popular, o povo até hoje tem participação política praticamente nula, servindo apenas como instrumento de manipulação e sustentação de parasitas que nela entram. Talvez exista sim algum traço ético e positivo em alguns poucos políticos que às vezes tomados por um resquício patriótico denunciam algum escândalo, mas ainda assim sou cético quanto a isso, acredito que tanto os denunciados, quanto denunciantes são bodes expiatórios, instrumentos para tentar acalmar os ânimos da população que já está completamente sobre controle.

Não somos culpados pelo mundo que encontramos ao nascer. Mas precisamos, na medida de nossas possibilidades, fazer alguma coisa pelo mundo que está sendo construído (ou destruído). E que será herdado aos que hão de vir. Gilberto Cotrim

A escola ideal?


Pensar em uma escola ideal seria algo pretensioso de mais na minha concepção, mas, a meu ver a escola tem um papel importante apenas na reprodução da ideologia das classes dominantes, tornando-se apenas mais um instrumento reprodutor do pensamento pequeno-burguês, - onde na realidade não existe perspectiva de vida, tornando-a apenas como um mercado imoral de diplomas.
Sendo essa apenas mais um aparelho ideológico - uma ferramenta que está a serviço do Estado e das classes dominantes para manipular e dominar ainda mais a população, que reproduz a ideologia de trabalhador assalariado tacanho e sem questionamentos sobre o meio e a realidade do país, a grande maioria dos alunos e pais de alunos acredita que o mais importante é o título de diplomado, esquecendo-se da importância no constructo intelectual para uma independência ideológica e crescimento próprio e do país, acreditando que apenas a graduação leva ao sucesso. O Estado brasileiro utiliza a escola apenas para fins financeiros e confundir valores na sociedade.
Os alunos são escolarizados, confundem ensino com aprendizagem, obtenção de graus com educação, diploma com competência, fluência no falar com capacidade de dizer algo novo. Sua imaginação é “escolarizada” a aceitar serviço em vez de valor. Identifica erroneamente cuidar da saúde com tratamento médico, melhoria de vida comunitária com assistência social, segurança com proteção policial, segurança nacional com aparato militar, trabalho produtivo com concorrência desleal. (...) ILLICH,Ivan
A escola é um instrumento disciplinador, trazendo prejuízos ao ser, uma vez que a vida é apresentada no conteúdo curricular de forma automatizada, implica em criar pessoas mecânicas, sem objetivos concretos e projetos de vida. O pensamento ético-filosófico faz com que pensemos nas didáticas utilizadas, que são fracas, devido a corpos docentes despreparados, tanto na construção intelectual, quanto emocional.
Atualmente em São Paulo a discussão discorre sobre a autonomia das escolas e dos professores sobre o conteúdo curricular, onde o Estado preparou cadernos para o corpo docente e discente, sendo esta, uma forma autoritária, aos moldes ditatoriais e fascistas de tentar dizer e ensinar o que acreditam ser o mais importante, colocando em questionamento a liberdade de cátedra, e desprezando os alunos e a construção do conhecimento contextualizado.
A transferência de valores da família para a escola é algo intrigante. O Estado brasileiro com suas políticas assistencialistas e sucateamento das instituições de ensino criam questionamentos, tira o prestígio da categoria educacional e coloca em questão: Como seria a escola ideal? São questões que podem derrubar o discurso anterior, mas, qualquer educador diria, a escola ideal seria aquela em que os professores tivessem todo o respaldo do Estado para o crescimento profissional, pagando cursos de capacitação, não impondo cursinhos para inflar o currículo profissional; mais escolas, salas mais vazias, a descentralização e transferência da educação formal para a família, sendo a escola apenas instrumento-ponte para a construção de conhecimento letrado, ou seja, apenas o acesso para as maravilhas culturais, são questões dúbias, questionamentos éticos, e algo a ser filosofado, não só por filósofos, mas por todos os envolvidos e, principalmente, pela população, mas, alguns pensamentos que me atraem são: Qual é o meu papel na sociedade? Qual a minha real importância na sociedade? O assistencialismo demonstra um bom governo ou a ocultação de uma massa falida? O que é mais importante, o conhecimento ou um papel dizendo que estou formado? Por que as empresas pedem o meu diploma e não dão valor para os meus conhecimentos? São questionamentos que todos devemos e que já sabemos, mas, a questão chave é, é possível mudar isso? Depende apenas da força popular!